A teoria do 'útero errante' que deu origem ao ultrapassado conceitovai bet bonushisteria:vai bet bonus

ilustração com manequimvai bet bonusum corpovai bet bonusmulher e útero desenhado ao lado

Crédito, Getty Images

O órgão também acabou vinculado a uma doença que chegou até os divãs do psiquiatra austríaco Sigmund Freud (1856-1939): a "histeria".

Pule Matérias recomendadas e continue lendo
Matérias recomendadas
vai bet bonus de :Temos os melhores relatórios de previsão, você está convidado a participar

O ovo frito, o caviar e o cozidoA buchada e o cabritoO cinzento e o coloridoA ditadura e o oprimidoPrometido 4️⃣ e não cumpridoE o programa do partidoTudo vira bostaO vinho branco, a cachaça, o chopp escuroO herói e o dedo-duroO 4️⃣ grafite lá no muroSeu cartão e seu seguroQuem cobrou ou pagou juroMeu passado e meu futuroTudo vira bostaUm dia depois 4️⃣ não me vire as costasSalvemos nós dois tudo vira bostaFilé "minhão", "champinhão"Don "perrinhão", salsichão, arroz, feijãoMuçulmano e cristãoA mercedez e 4️⃣ o fuscãoA patroa do patrãoMeu salário e meu tesãoTudo vira bostaO pão-de-ló, brevidade da vovóO foundue, o mocotóPavarotti e xororóMinha 4️⃣ eguinha pocotóNinguém vai escapar do póSua boca e seu lolóTudo vira bostaUm dia depois não me vire as costasSalvemos nós 4️⃣ dois tudo vira bostaA rabada, o tutu o frango assadoO jiló e o quiaboA prostituta e o deputadoA virtude e 4️⃣ o pecadoEsse governo e o passadoVai você que eu tô cansadoTudo vira bostaUm dia depois não me vire as costasSalvemos 4️⃣ nós dois tudo vira bosta

A Quina é um jogo vai bet bonus azar muito popular no Brasil, e muitas pessoas esperam anxiosamente o resultado da Quinta 😆 do Cada Dia. Mas quanto sai ou resultado?

Resultado da Quina vai bet bonus hoje é divulgado todos os dias, às 20hs. Nenhum 😆 site oficial do Caixa Econômica Federal Além disto e possível verificador o resultado das Cinco vai bet bonus vão fora plataformas móveis 😆 para celulares ou sites públicos info

cassino grátis

Goiás e Corinthians são dos clubes mais populares, suas partes sempre serão muito esperadas pelos fãs vai bet bonus futebol. Mas quanta 👍 vez ou goiano ganhou do coríntio? Vamos analisar aqui!

A primeira vitória do Goiás sobre o Corinthians ocupa vai bet bonus {k0} 1976, 👍 com a placar vai bet bonus 2a 1.

Fim do Matérias recomendadas

É difícil definir "histeria" sem cairvai bet bonussimplificações. Mas, nas diferentes correntes médicas, o termo foi mantido para definir uma doença dos nervos, do desejo, que rege as emoções e as exacerba.

A histeria era caracterizada por uma grande variedadevai bet bonussintomas que, conforme a época, variavamvai bet bonusestadosvai bet bonusabatimento, respiração ofegante, silêncio e até espasmos. Uma verdadeira colchavai bet bonusretalhos – e todos os sintomas seriam provocados pelo útero, seus movimentos e alterações.

Não por acaso, a origem da palavra "histeria" vem do termo grego "ὑστέρα" ("hystéra", que significa "útero").

ilustraçãovai bet bonusútero

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, A ideiavai bet bonusque o útero causava histeria persistiu até o Renascimento

Do Egito para a Grécia antiga

A ideiavai bet bonusque o útero viajaria pelo corpo, afetando outros órgãos, surgiu pela primeira vez no antigo Egito.

Esta referência está incluída nos papirosvai bet bonusKahun, que são considerados os textos médicos conhecidos mais antigos do Egito (1800 a.C.). Eles são especificamente dedicados à ginecologia.

E também se encontra no papiro Ebers, o maior existente, segundo Mercedes López Pérez, da Universidadevai bet bonusMúrcia, na Espanha, navai bet bonuspesquisa La Transmisión a la Edad Mediavai bet bonusla Ciencia Médica Clásica ("A transmissão para a Idade Média da Ciência Médica Clássica",vai bet bonustradução livre).

López Pérez menciona que estes papiros incluem, por exemplo, o casovai bet bonusuma mulher que se queixavai bet bonusdor nos olhos que se estende até a nuca e que não consegue enxergar.

O diagnóstico é que esses sintomas se devem "às substâncias uterinas que estão nos olhos" — e o "remédio" é uma fumigação com resina e gordura na vagina.

Na Grécia Antiga, acreditava-se que o útero fosse um animal que vagava pelo corpo.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Na Grécia antiga, acreditava-se que o útero fosse um animal que vagava pelo corpo
Pule WhatsApp e continue lendo
No WhatsApp

Agora você pode receber as notícias da BBC News Brasil no seu celular

Entre no canal!

Fim do WhatsApp

Mas a expressão "útero errante" ficou mais conhecida na Grécia antiga.

O eminente filósofo grego Platão (428 a.C.-347 a.C.), fundador da Academiavai bet bonusAtenas, menciona este conceitovai bet bonusum dos seus famosos Diálogos, intitulado Timeu.

Platão escreveu que, nas mulheres, "a matriz e a vulva se parecem com um animal ansioso para procriar".

E, se ficar muito tempo sem produzir frutos, o útero (aqui, chamadovai bet bonusmatriz) "se irrita e se encoleriza; fica errante por todo o corpo".

As consequências são terríveis, segundo a descriçãovai bet bonusPlatãovai bet bonusTimeu.

"[O útero] fecha a passagem do ar, impede a respiração, coloca o corpovai bet bonusextremos perigos e engendra mil enfermidades; e isso só é remediado quando o homem e a mulher, reunidos pelo desejo e pelo amor, fazem com que nasça um fruto, que é colhido como se colhe das árvores."

Platão não retira esta ideia diretamente dos egípcios, mas dos Tratados Hipocráticos, a compilaçãovai bet bonustextos médicos atribuídos a Hipócrates (460 a.C.-370 a.C.), pai da medicina ocidental, segundo o médico Thomas A. H. MacCullouch no artigo "Theories of Hysteria" ("Teorias da histeria",vai bet bonustradução livre),vai bet bonus1969, na publicação The Canadian Journal of Psychiatry.

Nos Tratados Hipocráticos, existe uma seção específica sobre as doenças das mulheres — e boa parte dela trata do útero e seu "deslocamento".

Todos os males inexplicáveis

É preciso entender que, embora houvesse dissecaçõesvai bet bonuscorpos já no antigo Egito, López Pérez indica que este procedimento não era comum no tempovai bet bonusHipócrates.

Por isso, não se tinha tanta certezavai bet bonuscomo era esse órgão ao qual eram associadas partesvai bet bonusanimais, como ter duas bocas ou olfato. E se acreditava que o seu estado natural fosse úmido.

A médica Carole Reeves, do Centrovai bet bonusHistória da Medicina do University Collegevai bet bonusLondres, também destaca navai bet bonuspalestra Wandering Wombs and Wicked Water – Women's Complaints and their Treatment ("Úteros errantes e águas malignas – as queixas das mulheres e seu tratamento",vai bet bonustradução livre) que esses documentos precisam ser analisados levandovai bet bonusconta o conhecimento que se tinha na época e não do pontovai bet bonusvista contemporâneo.

Segundo os Tratados Hipocráticos, o úterovai bet bonusuma mulher que não teve relações sexuais "não tem umidade própria e possui um espaço amplo porque o ventre se esvaziou". Por isso, ele se desloca por todo o corpo por estar "mais seco e leve".

No interior do corpo, o útero seco poderia se mover até o fígado, o coração, as costas ou a garganta. O resultado era o mesmo.

Ele poderia se deslocar para qualquer lugar devido a essa leveza. E ali, fora do lugar, produzia uma sérievai bet bonussintomas.

Se o útero se deslocasse para o fígado, por exemplo, acreditava-se que ele causaria os seguintes sintomas: "Asfixia, a parte branca dos olhos se volta para cima, as mulheres sentem frio e algumas chegam a ficar brancas e a ranger os dentes, a saliva vem à boa e chegam a parecer possuídas pela doençavai bet bonusHéracles [epilepsia]. Se a matriz ficar por um tempo ao lado do fígado e dos hipocôndrios, a mulher se asfixia".

O "útero errante" era a resposta aos diversos males inexplicáveisvai bet bonusque padeciam as mulheres.

"Os antigos gregos também culpavam o órgão femininovai bet bonustudo, desde convulsões até a depressão", afirma Elizabeth Kissling no seu artigo "The Wandering Uterus" ("O útero errante",vai bet bonustradução livre), publicado pela Sociedadevai bet bonusPesquisa do Ciclo Menstrual, sediada nos Estados Unidos.

"O comportamento histérico (emoções foravai bet bonuscontrole, medos irracionais, conduta descontrolada e exagerada) foi associado às mulheres e o útero era o epicentro da culpa", segundo Kissling.

Em 1876, data desta gravura, a anatomiavai bet bonusum útero era um pouco mais clara e já se sabia que ele não vagava pelo corpo.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Em 1876, data desta gravura, a anatomiavai bet bonusum útero era um pouco mais clara e já se sabia que ele não vagava pelo corpo

E havia vários "remédios" para o útero errante.

Como se achava que o útero teria o sentido do olfato, propunha-se aplicar um odor pestilento onde ele estivesse mal colocado e, ao mesmo tempo, um odor agradável na vulva. A ideia era que, atraído pelo bom aroma, ele regressaria para avai bet bonusposição correta.

Outra solução era irrigar a matriz com sêmen, já que se acreditava que o útero se deslocava por estar seco e árido. Por isso, a prescrição para as mulheres viúvas era engravidar e, às solteiras, que se casassem.

A teoria do útero errante chegou ao célebre médico grego Galeno (129-216).

Embora ele acreditasse que o útero não perambula pelo corpo, por parecer anatomicamente impossível, Galeno afirmava que o órgão mudariavai bet bonusposição, por exemplo, durante a gravidez.

O médico também manteve o conceitovai bet bonushisteria como a grande causa das patologias femininas e suas variações, como a "asfixia uterina".

Os tratamentosvai bet bonusGaleno para a histeria consistiamvai bet bonuspurgas (preparações com ervas) até que a mulher se casasse ou reprimir os estímulos que pudessem excitar as mulheres jovens, segundo o artigo científico "Women and Hysteria in the History of Mental Health" ("Mulheres e histeria na história da saúde mental",vai bet bonustradução livre), publicado na Biblioteca Nacionalvai bet bonusMedicina dos Estados Unidos.

A mesma história durante séculos

A noçãovai bet bonusque a histeria seria um mal causado pelo útero e, consequentemente, uma doença exclusiva das mulheres durou por muito tempo.

Durante a Idade Média, essa doença chegou a ser chamadavai bet bonus"furor uterino" ou "malvai bet bonusamor", o que irá se repetir ao longo do Renascimento.

O diagnósticovai bet bonushisteria, loucura ou estados emocionais instáveis nas mulheres permaneceu, por exemplo, na Inglaterra vitoriana (1837-1901).

Pintura satíricavai bet bonus1818 critica o uso da estimulação elétrica como remédio definitivo para a histeria.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Pintura satíricavai bet bonus1818 critica o uso da estimulação elétrica como remédio definitivo para a histeria

Popularmente, havia a crençavai bet bonusque seria possível tratar a histeria com estimulação elétrica na vulva. Mas as teorias médicas do século 19 consideravam que os orgasmos poderiam ser perigosos.

"Acreditava-se que a masturbação nas mulheres causava histeria e não que as curava", segundo a professora e pesquisadora Kate Lister, da Universidadevai bet bonusLeeds Trinity, no Reino Unido, no seu livro A Curious Story of Sex ("Uma curiosa história do sexo",vai bet bonustradução livre).

Havia também tratamentos radicais. Elizabeth Kissling explica que "se pensava que a histerectomia — a extirpação total ou parcial do útero — curava a instabilidade emocional, alémvai bet bonusuma sérievai bet bonusoutros sintomas não relacionados".

Até que chegou Briquet

O médico e psicólogo francês Paul Briquet (1796-1881) instaurou um novo paradigma: talvez, a histeria não tivesse nada a ver com o útero.

"O desenvolvimento da neurologia fez com que a concepção do paciente 'nervoso' fosse observada com uma base mais respeitável e científica", defende Thomas A. H. MacCullouch, "e houve uma mudançavai bet bonusênfase no útero para passar ao sistema nervoso".

No seu livro Traité Clinique et Thérapeutiquevai bet bonusl'Hystérie ("Tratado clínico e terapêutico da histeria",vai bet bonustradução livre), Briquet trata dessa condição como "neurose do encéfalo", não relacionada com a atividade sexual.

O médico também começou a refletir sobre a necessidadevai bet bonusalterar o nome da condição, o que só aconteceria um século depois.

A partir dali, a próxima mudança importante foi não só desvincular a histeria do útero, mas eliminar a ideiavai bet bonusque seria uma doença essencialmente feminina.

Para isso, foi fundamental a contribuição do neurologista francês e professorvai bet bonusanatomia patológica Jean-Martin Charcot (1825-1893).

Jean-Martin Charcot foi um dos pais da neurologia moderna.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Jean-Martin Charcot foi um dos pais da neurologia moderna

Charcot não diferenciava as doenças neurológicasvai bet bonushomens e mulheres. Para ele, a histeria seriavai bet bonusorigem neuronal,vai bet bonusforma que ele se dispôs a estudá-lavai bet bonuspacientesvai bet bonusambos os sexos.

Até o ano davai bet bonusmorte (1893), Charcot publicou maisvai bet bonus60 casosvai bet bonushisteria masculina atendidos por ele. É quando chegamos ao famoso médico e psicólogo Sigmund Freud, que foi discípulovai bet bonusCharcot.

Freud dedicou maior importância ao aspecto psicológico da doença e procurou se aprofundarvai bet bonusum conceito que já havia sido adotado por Charcot: ovai bet bonustrauma.

Com isso, a histeria passou a ser vista como uma doençavai bet bonusorigem psicológica, causada por traumas — muito frequentemente,vai bet bonusnatureza sexual.

Segundo a psicanálise, o sintoma histérico é a expressão da impossibilidadevai bet bonusrealização do impulso sexual, como mencionam Cecilia Tasca, Mariangela Rapetti, Mauro Giovanni Carta e Bianca Fadda, autores do artigo científico intitulado "Women and Hysteria in the History of Mental Health" ("Mulheres e histeria na história da saúde mental",vai bet bonustradução livre).

Embora já se houvesse avançado para desvincular a histeria da mulher, Freud centralizou seu estudo principalmentevai bet bonusmulheres e registrou apenas um caso masculino — que, por sinal, passou despercebido.

Freud mudou o paradigmavai bet bonusque a histeria provinha do útero e a definiu como doença psicológica.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Freud mudou o paradigmavai bet bonusque a histeria provinha do útero e a definiu como doença psicológica

Da histeria para o transtornovai bet bonusconversão

A palavra "histeria", presente há dois milênios nos tratadosvai bet bonusmedicina, só foi excluída do Manualvai bet bonusDiagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais da Associação Americanavai bet bonusPsiquiatria (APA, na siglavai bet bonusinglês) na metade do século 20.

O artigo "Women and Hysteria in the History of Mental Health" indica que o conceitovai bet bonus"neurose histérica" foi eliminadovai bet bonus1980 e que "os sintomas histéricos agora são considerados uma manifestaçãovai bet bonustranstornos dissociativos".

O Dicionário da Real Academia Espanhola (RAE) definia a histeria como uma "enfermidade nervosa, crônica, mais frequente na mulher que no homem". A RAE alterou esta definiçãovai bet bonus2017.

Vale ressaltar que,vai bet bonusportuguês, o Dicionário Caldas Aulete mencionava, já na décadavai bet bonus1970, que a palavra "histeria" vem do grego "hystera" (útero) porque "se supunha que esta doença era somente feminina e tinha avai bet bonussede no útero".